Vamos começar essa conversa com uma afirmação: sentimento e emoções não é um privilégio dos adultos. As crianças também os têm. A grande diferença entre ambos é que os adultos (em sua maioria) aprenderam a lidar com eles e as crianças ainda estão aprendendo. Dá tranquilamente para fazer uma comparação com outras habilidades, como a coordenação motora. Se fizermos um teste de coordenação com atividades simples entre você e seu filho pequeno, por uma questão de fato você se sairá muito melhor. Por que você já passou pela fase de desenvolvimento motor em que aprendeu a lidar com o seu corpo e dominou certas atividades relacionadas com o movimento corporal. Seu filho ainda não passou por isso. Por que haveria de ser diferente com os sentimentos e as emoções? Dito isso, vamos falar sobre as birras. As birras surgem como uma tentativa da criança em testar os limites. Elas desejam fazer certas coisas e uma vez que são impedidas de fazê-las elas experimentam sentimentos como raiva e frustração. O problema é que elas não sabem ainda como lidar com esses sentimentos sozinhas. Lembrando que na birra, a raiva é um sentimento que se intensifica. Ocorre que muitos pais não sabem como lidar com essa situação, que acaba por se transformar em uma disputa de quem grita mais. Entenda que no momento em que o seu filho está fazendo uma birra ou tendo um ataque de raiva ele não vai aprender. Numa situação como essa, não apenas nas crianças, mas em qualquer pessoa, é o hemisfério direito do cérebro que assume o controle. Essa parte do cérebro é justamente aquela responsável pelas emoções. Nesses momentos, o cérebro entra no chamado “estado primitivo”, enviando uma mensagem de fuga para o corpo. Por isso a criança se comporta dessa maneira: chora, grita, corre, esperneia, arremessa objetos, dentre outras coisas. Gritar de volta não irá ajudar, pois a raiva e adrenalina não permite que isso aconteça, focando apenas nos sentimentos e emoções experenciados internamente. O que fazer diante da birra? A maneira acertada de resolver o problema é criando uma conexão com o seu filho. Entenda que a criança precisa se acalmar para assimilar o que você precisa dizer pra ela. Assim, tente acalmá-la, dizendo-lhe que entende sua frustração você o ama mas a resposta é NÃO. Ofereça-lhe conforto e deixe que o estresse passe. Essa não é hora de ensinar nada. Uma vez que ela se acalme, os dois hemisférios do cérebro se reconectarão e a lógica estará de volta. Aí sim é a hora de ensinar a criança como ela deve agir em outra situação semelhante. Procure olhar nos olhos da criança, ficando na altura dela. Fale com calma, devagar e cuidado com o tom de voz. Permita que ela saiba que você entende como ela está se sentindo, pois você também já se sentiu assim. Você pode fazer isso de forma lúdica, contando uma situação em que você ficou com raiva. Essa é uma maneira de validar os sentimentos da criança e a incentivará a falar como se sente, pois saberá que você vai entender. Aos poucos a criança vai aprendendo a lidar com a raiva e quanto mais conexão existir entre vocês, menos traumático será esse processo. Vale dizer que essas dicas que demos até aqui é para você utilizar no momento da raiva, mas existe uma série de outras formas de trabalhar a segurança e autocontrole do seu filho, utilizando-se de algumas estratégias. A primeira delas é manter o foco naquilo que a criança fez. Alguns pais estão tão focados em advertir quando o filho comete erros e não valorizam os pequenos esforços positivos que eles realizam. Uma vez identificado o “benfeito”, encoraje para que ele repita o comportamento. Não tenha dúvida de que é bem mais efetivo do que repreender o “malfeito”. Enfatize as coisas boas, reconheça os avanços, procure extrair o que seu filho tem de melhor. Entenda que o mau comportamento tem origem na falta de conexão.
Assim, ao invés de surtar cada vez que a criança estiver tendo um acesso de raiva, procure entender o que você pode fazer para se conectar ainda mais com a criança e ajuda-la a lidar com esses sentimentos. Implemente essas medidas e você verá um grande progresso a longo prazo.
