O poder do LAR

É indiscutível que a família é a primeira comunidade da qual o indivíduo faz parte logo nos seus primeiros dias de vida, consequentemente, o ambiente onde esse relacionamento se desenvolve e as pessoas que compõem esse núcleo familiar influencia de modo significativo a formação de cada um de nós. Por isso, o ambiente familiar e os relacionamentos construídos nesse ambiente deve ser uma preocupação para os pais que desejam criar filhos equilibrados e saudáveis emocionalmente. Obviamente, em razão das características próprias de cada um, é difícil determinar uma fórmula mágica de sucesso. Contudo, existem alguns pressupostos que não podem ser ignorados e que podem aumentar a possibilidade de obter êxito na formação dos filhos. Assim como também é possível identificar alguns cuidados que se deve observar, pressupostos que devem ser evitados nesse processo de formação. A relação entre pais e filhos é algo tão profundo e permanente que algumas vezes pode se dar a falsa sensação de que é algo automático, que surge no ato da concepção ou ainda do nascimento. Contudo, em que pese o sentimento ser realmente algo inexplicável e difícil de determinar o momento exato em que ele surge, o fato é que o método de criação desse pequeno ser tão amado não é algo que vem com o sentimento. Não importa quantas aulas se tenha assistido para se preparar para a maternidade e a paternidade, a verdade é que os pais nunca estão totalmente preparados para a mudança de vida que esse novo ser vai proporcionar. É uma constatação que surge aos poucos e cada dia é uma surpresa. Analisando sob o prisma da mãe, para demonstrar, por alguns meses ela abriga em seu corpo uma vida e ali a mantém segura e cuidada sem necessariamente fazer muito mais do que cuidar do próprio corpo e de suas próprias necessidades, de modo que o seu organismo forneça para o feto tudo aquilo que ele precisa para se desenvolver. Contudo, quando essa criança é retirada do ventre materno, ela traz consigo um mundo de necessidades que precisam ser satisfeitas e a mãe precisa identificar a melhor maneira de fazê-lo. Não é mais o seu próprio corpo a prover as necessidades de seu filho, mas ela própria. Porém, junto com as necessidades da criança, surge para a mãe a sua própria necessidade de prover tudo aquilo que o seu filho precisa e de protegê-lo. É um verdadeiro desafio tanto do ponto de vista físico como emocional. Da mesma forma que os pais não estão totalmente preparados para as mudanças que advêm com um bebê em sua rotina, não significa também que toda a tranquilidade do ambiente doméstico a que os pais estavam habituados precisa mudar drasticamente. Tudo isso vai depender de quanto os pais estão familiarizados com as necessidades das crianças e da melhor forma de satisfazê-las. Por outro lado, não se trata apenas de saber o que fazer com o bebê, mas também de como os pais enxergam o encaixe dessa criança no plano maior de suas vidas. Uma coisa é satisfazer as necessidades de sobrevivência de uma criança – alimentação, higiene, sono, etc – outra coisa é fazer tudo isso como parte de um propósito. Essa compreensão vai subsidiar a tomada de decisões desses pais em relação ao seu filho. Um bom começo para obter êxito na criação dos filhos é construir um ambiente de amor no lar. Mas esse ambiente amoroso não está fundamentado apenas no amor dos pais para com os seus filhos, embora esse amor seja essencial. Esse ambiente de amor precisa ser construído a partir do comprometimento entre os pais. Assim, uma vez aperfeiçoado este amor, será transmitido para o bebê. É preciso ter em mente que esse ambiente não vai se surgir de forma natural, ele precisa ser construído, exigindo empenho, sacrifícios e comprometimento dos pais no amor que compartilham entre si. Pois, o casamento não se resume a um contrato legal, mas representa a ligação especial que existe entre duas pessoas, homem e mulher, e uma vez fortalecido, esse amor irradia para os filhos. Importante destacar, todavia, que o simples fato de estarem casados não faz do homem e da mulher bons cônjuges um para o outro. Ser um bom marido ou uma boa esposa não é uma qualidade inata, mas aprendida paulatinamente através do exercício da paciência, do sacrifício pessoal, do comprometimento e dedicação em fazer bem um ao outro, a fazer o outro feliz, a cuidar do bem estar daquela pessoa que escolheu para ser sua parceira de vida e construir sua família. É essa felicidade conquistada todos os dias que vai influenciar no exercício da maternidade e da paternidade.
Então, quando se diz que um bom começo é a construção de um ambiente de amor e se fala na importância do casamento na construção desse ambiente é pra demonstrar que a união conjugal não é apenas um bom começo, mas primordial para o sucesso na criação dos filhos. Um casamento onde marido e mulher não buscam o equilíbrio emocional, físico e social terá como consequência problemas no seu relacionamento e isso vai impactar no relacionamento com os filhos. A criança não assimila a relação dos pais racionalmente, mas usa os seus sentidos para fazê-lo. Assim, as crianças que vivenciam uma relação de amizade, respeito, carinho e amor entre os seus pais passam a perceber um mundo amoroso, confiável e seguro para se viver. A compreensão da importância de um bom relacionamento conjugal como fator determinante do sucesso na criação dos filhos é capaz de evitar um erro comum dos pais, sobretudo nos dias de hoje. Muitos pais mudam o foco de suas vidas para a criança, ficam maravilhados com cada progresso, encantam-se com esse novo mundo e querem guardar cada momento do desenvolvimento da criança. Em contrapartida esquecem-se de cuidar do relacionamento com o seu cônjuge, por não compreender que um relacionamento conjugal saudável e feliz tem maior impacto positivo na saúde emocional dos seus filhos do que manter o foco apenas sobre a criança. Por isso, é preciso estar atento para não cometer esse erro. Laços maritais frágeis refletem negativamente na relação entre pais e filhos.
Uma vez que ficou demonstrado a importância do casamento e seus reflexos na saúde emocional dos filhos, que atitudes práticas podem ser tomadas para manter um relacionamento conjugal próspero e feliz de modo a refletir positivamente na criação dos filhos? Em primeiro lugar, compreenda que existe vida após a maternidade e paternidade. Sim, você continua existindo mesmo após o nascimento do seu filho. Assim, apesar de ser compreensível certa alteração no ritmo dos pais, sobretudo nos primeiros meses, vocês ainda são irmãos, filhos, amigos, vocês ainda possuem interesses e necessidades, ainda é importante cultivar os relacionamentos que existiam antes da chegada do bebê. Então, façam isso: sejam receptivos a essas pessoas que eram importantes e que faziam parte das suas vidas antes da chegada do bebê e continuem fazendo as coisas que eram importantes pra vocês. Alimentem o relacionamento do casal: namorem, façam coisas juntos, preservem os programas que faziam antes do bebê na medida do possível, reservem tempo um para o outro, priorizem-se, cultivem a chama que mantém o casamento vivo e feliz. Tenham em mente que a saúde da relação conjugal vai influenciar na saúde emocional da família toda.
Utilizem o período anterior a chegada do bebê como uma preparação para os desafios que estão por vir, mas, principalmente, aproveitem para conversarem entre si e descobrirem juntos o que esperar um do outro quando a criança chegar. A inserção desse pequeno indivíduo na família já será bastante difícil nos primeiros dias. A mãe está se recuperando do parto, ambos estarão no processo de conhecer as necessidades iniciais do bebê, adaptando-se aos horários de sono, alimentação, aprendendo a identificar os choros e sons. Assim, acrescentar a tudo isso a incerteza do papel de cada um nesse processo e do quanto cada um é capaz de oferecer pode potencializar as dificuldades e atrapalhar o relacionamento.
Então, o diálogo é importante em qualquer momento, mas nesse período que antecede a chegada do bebê é essencial para descobrirem juntos o que esperar um do outro e como cada um pode ajudar nessa nova etapa da vida familiar. Qual a contribuição na rotina do lar, nos serviços domésticos. Sejam pragmáticos e elaborem listas que vão ajudar a organizar a rotina familiar e evitar problemas futuros. Obviamente que após a chegada do bebê é possível redefinir as tarefas com base na experiência vivenciada. Cada criança tem rotinas, hábitos e necessidades diferentes. Assim, é importante dialogar e redefinir as atribuições de cada um sempre que necessário. Uma vez que o casal compreende que o casamento e a criação dos filhos estão intrinsecamente relacionados de tal maneira que o primeiro impacta significativamente no sucesso do outro, ele passa a investir na relação conjugal de modo prioritário. Assim, adotar os cuidados aqui apresentados vai ajudar a pavimentar o caminho para um casamento próspero e duradouro, além de possibilitar um ambiente equilibrado, amoroso e emocionalmente saudável para a criação dos filhos.

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